quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
O encontro.
Ele sente que nasceu para matar. Não literalmente. Renasceu para matar. Começa a relembrar de toda sua vida inútil, a infância perdida, os amigos da escola que o maltratavam, a adolescência promissora que acabaria se tornando em uma vida adulta sem sentido algum. Amola seu machado e se lembra. Abre as gavetas e revê sua coleção de armas brancas. Facas, machados... Olha para as espadas penduradas na parede. Ele se sente como um guerreiro sem honra, a morte espera por todos. Só que dessa vez, a morte virá para outros. Abre seu caderno de anotações e lê os nomes de todos aqueles que um dia lhe fizeram mal, que um dia lhe fizeram acreditar que era um merda, um zero à esquerda. Todos os problemas que teve quando criança e as chacotas, piadas idiotas.
- Sim, é chegada a hora. Só tenho de terminar alguns detalhes, e sair para caçar. Logo mais, tudo estará escuro como essa noite.
Prende em seu casaco algumas facas, dois pequenos machados, e coloca nas costas a bainha com a espada. Tudo planejado para a sua diversão. Olha através da janela, está chovendo, o tempo frio parece não ajudar. Desce as escadas e sai para a rua, sair a procura do primeiro alvo.
Caminhando sob a tempestade que castiga a cidade, ele encontra um mendigo.
- Olá meu senhor, poderia me dar uma moeda para ajudar a matar minha fome?
- E quem me garante que você não vai beber com a grana que eu te der?
- Tudo bem, vou lhe ser sincero. Peço para beber, não sinto vergonha.
- Sem problemas. Pela sua sinceridade, merece até duas moedas. Afinal, você precisa se aquecer.
- Muito obrigado, meu senhor. Só lhe dou um conselho: vá com muito cuidado.
Ele se vira e não entende muito bem o que o mendigo lhe dissera. Será que ele sabia de seus planos, ou... Não, nada demais. Está começando a ficar paranóico. Não pode deixar a loucura tomar conta de si, antes de ficar louco de verdade.
Atravessa a rua e se aproxima do seu primeiro destino. Tiago. O cara dois anos mais velho do que ele, e que vivia se divertindo com seus problemas de saúde. - 'Maldito.' - Só consegue pensar nisso. Ele pula o muro e olha pela janela, Tiago está dormindo com sua esposa. Olha para o lado e vê que há crianças dormindo em outro quarto.
- Ninguém sai vivo.
Ele ri sarcasticamente, e já planeja como vai atacar um por um. Consegue destrancar a porta dos fundos, e entra devagar pela cozinha. Olha para o relógio na parede: 00h00. Vai até a sala, nota que há uma coleção de bebidas em um mini bar, pensa no que poderia fazer depois. Ele se vira para o quarto das crianças, tão frágeis, inocentes, puras... mas que um dia haverão de propagar a maldade pelo mundo. Carrega as duas pelo colo, o sono é tão profundo que ele nem se preocupa. Ele as coloca deitadas no sofá, cobre seus rostos com travesseiros e lhes aplica golpes de machado no pescoço. O sangue escorre, encharca o tapete da sala, ele olha para os corpos tristes e brancos que desfaleceram sem um grito. Não há tempo para voltar.
- O que faço agora? Sim, vou pegar uma dose de bourbon com gelo e me sentar por aqui. Já sei, vou pendurar as cabeças das crianças na porta do quarto delas. Assim, quando o filho da puta acordar, vai sentir a maior dor de sua vida.
Ele esvazia o copo, se dirige ao sofá ensanguentado, pega as duas cabeças e as arrasta pelo corredor. Vai à cozinha e encontra fitas adesivas, as pega e volta para o quarto.
- Sim, agora sim... Pronto! Olha que coisa linda. Dois rostos sem vida, pálidos, secos. Secos como a minha alma.
Ele volta para a sala, pensa no que vai fazer. Então decide bater à porta do quarto de Tiago. Toc toc. A esposa sai, e mal tem tempo de reconhecer as filhas mortas penduradas na porta. Agora uma faca se encontra em seu coração. Rápido, eficiente. Ele vê que seu amigo ainda não acordou. Pega o corpo da mulher e o coloca junto às cabeças das crianças. Ele vai até Tiago, o observa, se lembra de tudo o que o desgraçado lhe fez quando criança. Resolve agir. Vai até a cozinha e pega um pedaço de pano, volta para o quarto, ao mesmo tempo enfia o pano na boca de Tiago, e lhe desfere uma facada no ombro. Tiago desperta como quem cai de um prédio, um misto de medo e dor. Olha e vê seu amigo de infância com os olhos vermelhos, refletindo o sangue que jorra de seu ombro. O rapaz tira a mordaça da boca dele e resolve conversar.
- Olá Tiago, se lembra de mim?
- Filho da puta! Que porra é essa? Meu ombro, seu desgraçado! Cadê minha esposa? O que você fez com ela?
- Calma, ela está segura, assim como suas fihas... Seu ombro dói? É apenas o começo. Minha alma tem doído por anos...
- Seu maluco! Você sempre foi maluco! Desde que te conheci, você nunca se deu bem com ninguém, ficava isolado no seu canto, com seus pensamentos de retardado.
- Errado, meu velho amigo. Você e todo o pessoal da escola e do ônibus é que me isolavam com suas piadinhas infames, mas sabiam o que estavam criando. Agora chegou minha vez. Talvez o que você esteja recebendo não signifique um décimo do que sofri nesses anos, mas garanto que irá sofrer muito, assim como o resto do pessoal da época.
- Quê? O que você pretende fazer? Vai se vingar de todo mundo? Se vingar do quê? Era um fraco e não se adaptava! Mas quero saber onde estão minhas... Meu Deus! O que você fez a elas? Seu...
- Desculpe, você acha que só sua morte seria o suficiente para que eu me vingasse de você? Se enganou, otário. Uma pena, sempre se achou o esperto do ônibus, mas não passa de um idiota...
Tiago se levanta e vai até o corpo de sua esposa, e se choca ao ver de perto as cabeças de suas duas crianças. Cai ao chão em desespero. Chora amargamente e se arrepende por tudo o que fez de ruim. Se levanta em um acesso de raiva e tenta atacar seu velho amigo. Em vão. Leva outra facada, no joelho direito dessa vez. Cai, como quem não consegue se equilibrar. Chora de dor e raiva. Impotente, sabe que vai morrer.
- Vai, me mata logo, se é isso que você deseja.
- Calma, muita calma... Pra quê a pressa? Vocês ficaram me matando por anos, o que são minutos, comparados com aquilo? Se espera que eu alivie sua dor, está enganado. Eu ainda estou pensando no que vou fazer com você.
- Desgraçado! Você matou minhas filhas e minha esposa! O que mais quer de mim? Quer me ver sofrer? Acha que isso vai te fazer uma pessoa melhor? Acha que isso vai apagar a dor que sente e carregou por todos esses anos?
- Não, a dor está desaparecendo, o que vem, é apenas a calma. Sinto-me tranquilo. Sua morte é questão de tempo. Antes do sol raiar. Aliás, você tem escada por aí? Acabei de ter uma idéia.
Ele vai até Tiago e lhe esfaqueia o outro joelho, impedindo-o assim de andar, como meio de precaução. Vai até a varanda e encontra o que procura. Volta calmamente para o quarto e a abre, bem no centro.
- O que você vai fazer com isso?
- Tá com medo? Você vai ver...
- Nããão.... Nããããããããoooooooo!
O sangue jorra novamente nas paredes. Ele corta os pulsos de Tiago e o joga nos ombros. Tiago desmaia de tanta dor.
- Mais fácil assim, não quero ninguém se debatendo e me atrapalhando.
Ele pega a mão esquerda do rapaz e a encosta no teto, crava uma faca nela.
Tiago acorda assustado e gritando, sem saber o que acontece. Mais uma. A sua mão direita também é cravada no teto. O rosto de Tiago é a reprodução da dor, do desespero, do medo. Suas pernas são esticadas e juntas. Outra faca, só que dessa vez atravessando seus pés e encontrando o teto. De certa maneira, ele fôra crucificado. Já não grita mais. A dor é imensa, a ponto de não sentir mais nada. O quarto está cheio de sangue. Ele olha bem nos olhos de seu velho amigo e pergunta:
- Por quê?
- Porque eu quis assim. Dê um oi ao Diabo por mim. Vou te poupar, acabou.
Ele crava mais duas facas na cintura de Tiago para o corpo não cair, e em seguida rasga sua barriga. Os órgãos caem sobre o chão: intestinos, estômago, fígado, pâncreas, rins...
Tiago morre de olhos abertos, como quem não acredita no que está acontecendo.
- Menos um. Agora me restam três. Eles têm de saber que eu voltei. Tenho de planejar o resto, crucificar Tiago até que foi legal. Ah, preciso de outra dose de bourbon antes de partir. A noite é longa e a chuva está cada vez pior.
Continua...
domingo, 30 de novembro de 2008
O Sorriso Disfarçado
- Porra, são 3 horas da tarde... ainda? Merda.
A noite foi devastadora. Impiedosa. Cruel. Talvez ele pense que jamais poderá achar seu coração novamente. Pior, parece ter levado um soco no queixo, daqueles que chacoalham o cérebro e que faz perder os sentidos. Desmaiado, em coma. Coração e mente em pedaços, muito bom. Que mais falta? Ah sim, a alma. Mas Ian julga que não possui alma há um bom tempo. Claro, depois daquela noite em que transou com a namorada do melhor amigo, ele se considera um filho da puta nato. Mas não é só isso, a bondade que residia em seu coração há tempos está perdida.
- Quê? Que merda é essa de bondade? Bondade é a...
É, isso mesmo, assim ele pensa. Pobre Ian, que foi que lhe fizeram nos tortuosos caminhos da vida? Melhor, o que foi que fez a si mesmo? Não é a sombra do que foi um dia. Mas claro, não podemos fugir. O álcool ingerido na noite passada ainda queima seu estômago. O nariz ainda dói, os pulmões fervilham. As olheiras não param de aumentar, até parece que levou dois socos bem dados. É... Onde está sua garota? Mais uma de suas paixões descartáveis. Claro, sempre assim: 'me apaixono por você agora, mas amanhã nem me lembro do seu nome.' É óbvio, ele se apaixona por qualquer mulher que julgue interessante e lhe dê um belo sorriso. Mas que tenha um belo par de coxas, seios e um rosto lindo. Beleza interior é coisa de fracassado, diz ele. Cadê sua garota, cara? Levou outro pé na bunda? Porque é sempre assim, qdo passa do primeiro pro segundo estágio a coisa muda, e muito. Ian deixa de ser um indiferente para ser um idiota babão. Otário. Não sabe dosar sentimentos, se mata aos poucos.
- Não fode! O coração é meu! Eu colo essa porra com a cola que eu quiser... nem que seja cola de sapateiro inalada!
Ele jamais entenderá. Pobre alma. Pobre diabo. Sabe muito bem da vida como ela é, mas se nega a aceitá-la. Prefere ficar trancado no quarto, deitado. Ouve seus cantores e cantoras de fossa preferidos, ou como ele mesmo diz: sad boys with guitars, sad girls with pianos. Chega a ser deprimente. Frustrante. Broxante. Mas aí vem mais um dia, ele levanta da cama, se olha no espelho. Vê estampada em seu rosto a vergonha, a falta de coragem. Mas de quê adiantaria ter coragem se lhe faltam forças? No café da manhã toma um gole de uisque, diz que é pra rebater a ressaca. Café da manhã às 4 da tarde. Muito bom. Ainda decide o que vai fazer. Ligar o computador, ler um livro... No fim de tudo acaba acendendo um cigarro. Tem que tomar um banho, urgente. Exala o cheiro da derrota da noite anterior, a derrota de sempre, que o acompanha desde o dia de seu nascimento. Mas tanto faz, ele já a aceita como parte da vida. Até conversa com ela, às vezes. Idiota. Ainda acha que um dia as flores haverão de desabrochar e trazer uma primavera em seu coração. Não. Se outrora viveu um outono, hoje vive imerso no inverno. Frio, gélido, sem vida alguma.
- Claro, você acha que vai dar certo no fim? Vai-te à merda. Nada vai dar certo...
Mais uma noite está por vir. Mais paixões fugazes, amores descontrolados e desvairados. Ian sempre foi um Pierrot no carnaval da vida, e quando tinha a oportunidade de ser um Arlequim, vacilava. Amargo, demais. Sempre procurou alguém que lhe ensinasse o caminho para a tristeza. Mal sabe que seu coração é uma estrada sem fim até ela. Pobre Ian. Vai voltar a se iludir, vai voltar a escrever suas desilusões, vai voltar a chorar ouvindo Nick Drake e tendo um cigarro como único amigo. Tendo a garrafa de uísque como apoio moral. Ele ri. Sabe que nada vai mudar, e mesmo assim segue adiante. Certo, ele sabe que esse é o único caminho a seguir. Nunca teve escolha. E se teve, ignorou, prefere ser assim. Não para que os outros tenham dó dele, ao contrário, quer que os demais se explodam. Sabe que o caminho que escolheu não tem volta. Anda logo cara, há alguém te esperando na escadaria do prédio hoje a noite. É ela. Ela ainda te ama. E você, a ama? Cuidado, você ainda vai morrer disso...
- Ah, me deixa...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Transtornos.
A Revista Isto É publicou uma matéria sobre Psicopatas. Como uma pessoa aparentemente normal é capaz de cometer crimes tão bárbaros? Psiquiatras dizem que 4% da população mundial (3% homens, 1% mulheres) sofre de psicopatia, termo para transtorno de personalidade antissocial, que pode aparecer de uma hora para outra. Colocando essa proporção no Brasil, 1 entre 25 brasileiros se enquadra nesse perfil. Os casos se definem do grau mais leve até o mais grave, como assassinatos e grandes golpes financeiros. As maiores características de um psicopata são: egocentrismo, ausência de culpa, frieza, charme e simpatia.
Testes realizados com psicopatas revelaram que o sistema límbico deles não sofreu nenhum tipo de alteração quando foram mescladas imagens de beleza e de tragédias. Em seres humanos 'normais' o sistema entra em ebulição ao ver cenas de horror, isso, porque, a repulsa é enorme. Psicopatas são tão geniosos que conseguem enganar um detector de mentiras. Sabem extamente o que estão fazendo e mentem com naturalidade.
Especialistas dizem que psicopatas nascem psicopatas. E, como diz a reportagem, vários fatores do dia-a-dia contribuem para que o psicopata aja sem problema algum. Um deles é a impunidade. Ele sabe que as leis são falhas e abrem brechas para que ele não seja punido de acordo com o seu crime.
Um relato impressionante é o do livro O Iluminado de Stephen King, adaptado aos cimenas por Stanley Kubrick e lançado no ano de 1980. Jack Torrance (Jack Nicholson) é um pai de família desempregado, escritor fracassado e alcoólatra que vai parar em um hotel com sua esposa e filho para ser zelador durante um rigoroso inverno. O aspecto solitário do hotel e a sua imensidão fazem com que Torrance desenvolva a Síndrome da Cabana, algo que ocorre quando pessoas que vivem enclausuradas por muito tempo desenvolvam e se rebelem entre si. O filme já se aprofunda em casos como reencarnação, visões e algo que já foge um pouco da proposta desse tópico.

Here's Johnny!
Preste muita atenção, se você observar 24 pessoas que você se relaciona, e nenhuma delas apresentar nenhum grau de psicopatia, fique esperto, o 'doido' pode ser você! hahaha.
Transtornos mentais são realmente sérios e devem ser estudados e tratados com o máximo de atenção. É cruel ver pessoas que sofrem de esquizofrenia, TOC, transtorno bipolar de humor, depressão etc.
Até a próxima.
E vão com cuidado.
Notas:
Sistema límbico: é a unidade responsável pelas emoções.
O post foi escrito ao som de Ghosts I-IV do Nine Inch Nails, disco mais do que apropriado ao tema discutido.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Violentamente amargo.
Aceito.
Escondo e me refaço,
Como uma agulha no palheiro.
Apenas um giro.
O último trago,
A última gota no fundo do copo.
A violência em um beijo,
E o corpo enlouquecendo...
Assim, eu lhe pago.
Transe um novo perdão,
Desça até o fundo.
A ausência do toque,
A pele mórbida,
Uma estranha sensação.
Um tapa no rosto,
E o coração escancarado.
Feche as janelas,
Não me deixe ver,
Troco o hábito pelo gôsto.
Como é grande a amargura,
Violenta, até demais.
Pegue minhas mãos e verá,
Os dedos sangrando,
A carne dura.
Siga meus passos, adiante.
Veja o que abandonou,
Pense em me matar.
Afinal. Aliás,
Um lindo e branco elefante.
Violente-me, assim.
Rasgue toda a roupa,
Beba o que puder.
Entristeça-me com o que tem,
Faça-o, por mim.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Empty days...

"I can't believe it, the way you look sometimes,
Like a trampled flag on a city street,
And I don't want it, the things you're offering me,
Symbolized bar code, quick ID.
I can't explain it, the things you're saying to me.
Tried to tell you about no control,
But now I really don't know,
And then you told me how bad you had to suffer,
Is that really all you have to offer?
Cause I'm a 21st century digital boy,
I don't know how to live but I've got a lot of toys.
My daddy's a lazy middle class intellectual,
My mommy's on valium, so ineffectual.
Ain't life a mystery?"
21st Century Digital Boy - Bad Religion
Vejo o tempo passar e tenho a sensação de que meu coração fica cada vez mais vazio. Ou estaria errado?
terça-feira, 15 de julho de 2008
Indigna, indignação...

"A gente não sabemos escolher presidente,
A gente não sabemos tomar conta da gente,
A gente não sabemos nem escovar os dente,
Tem gringo pensando que nóis é indigente.
Inútil!
A gente somos inútil!"
Ultraje a Rigor
Essa música tem mais de 20 anos, mas continua mais atual do que nunca. Porque é assim que me sinto, um inútil, feito de palhaço, assim como muitas pessoas que conheço. As leis são feitas pelos deputados, aprovadas pelo senado e assinada pelo presidente. Agora vem a ironia de tudo. Onde num país em que temos um presidente alcoólatra declarado é aprovada e assinada uma lei em que um copo de cerveja pode dar uma multa de R$ 957,50 e 1 ano de suspensão da carteira de motorista? É, só no Brasil mesmo. Eu tenho consciência de que um copo de breja não vai me deixar louco e me fazer atropelar e matar o máximo de pessoas que encontrar pela rua. É, parabéns à todos nós. Clap clap!!!
"Brasil, mostra a tua cara,
Eu quero ver quem paga,
Prá gente ficar assim..."
Cazuza
...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
I'm impossible to forget, but I'm hard to remember...

'E Colombina diz: olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço, à luz do teu olhar, tenho ânsias de dormir, para poder sonhar! Os teus olhos dardejam! São dois lábios de luz que as pupilas me beijam... São dois lagos azuis à luz clara do luar... São dois raios de sol prestes a agonizar... Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor... Meu amor... Meu amor não pode ser seu, e sim do Arlequim... Não chores meu doce Pierrot!'
Commedia Dell'Arte
'E o Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina,
E na esquina se mata a beber pra esquecer,
Pra esquecer.
E o Pierrot só queria amar,
E dar um basta a essa dor já sem fim,
Mas Colombina trocou seu amor por Arlequim,
E o Pierrot chora...'
Los Hermanos
...
Eu sempre serei um Pierrot, cheio de amores platônicos, a única maneira de existirem e eu sobreviver. Só não diga que me ama. Não diga. Jamais diga. Porque aí o Pierrot morre e nasce o Arlequim. E isso machuca mais a você do que a mim.
Todo carnaval tem seu fim.
...
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Help!

"Quatro mil crianças nos deixam por hora,
Morrem de fome,
Enquanto milhões são gastos em bombas,
Criando chuveiros da morte.
BOOM!
BOOM!
BOOM!
BOOM!
A cada vez que você arma a bomba,
Você mata o Deus que nasceu em seu filho."
BOOM! - System of a Down
Você sabe pra onde vai a grana dos seus impostos? Você economiza água, energia elétrica? Você ajuda o próximo? Dá comida à quem tem fome? Água à quem tem sede? Luta por um mundo melhor?
...
sábado, 31 de maio de 2008
A violência é tão fascinante...
John Connor: Sabe, eu fico vendo todos... Aliás, todos nós morreremos, não? Quero dizer, as pessoas. Exterminador: É da natureza de vocês se destruírem.
O Exterminador do Futuro 2 - 1991
Uma máquina sabe de valores como amor, carinho, afeto. E também sabe da nossa natureza. E é incrível como um clássico da ficção em sua seqüência é transformado em um filme que possui uma mensagem.
'Agora eu sei porque vocês, humanos, choram...'
...
terça-feira, 20 de maio de 2008
'E se eu pudesse acordar em um lugar diferente?'

"Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes, vejo todo esse potencial desperdiçado. A propaganda nos põe para correr atrás de carros e roupas. Trabalhar em empregos que odiamos para comprar coisas inúteis. Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Nós não temos uma guerra mundial, nós não temos uma grande depressão. Nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas. Fomos criados através da TV para acreditar que um dia seríamos milionários, estrelas de cinema ou astros do rock, mas não somos. E aos poucos tomamos consciência do fato. E estamos muito, muito putos. Você não é o seu emprego, nem quanto ganha ou quanto tem no banco. Nem o carro que dirige. Nem o que tem dentro da sua carteira. Nem a porra do uniforme que veste. Você é a merda ambulante do mundo que faz de tudo pra chamar a atenção. Nós não somos especiais. Nós não somos uma beleza única. Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo."
Tyler Durden
Clube da Luta - Chuck Palahniuk
Livro e filme altamente recomendados, quem quiser, tenho o DVD.
haha
Quer saber que sua vida é uma merda, mas que existe merda pior? Ou tentar se libertar?
quinta-feira, 15 de maio de 2008
E não tenho nada pra lembrar...

"Vamos falar de pesticidas e de tragédias radioativas,
De doenças incuráveis,
Vamos falar de sua vida.
Preste atenção ao que eles dizem,
Ter esperança é hipocrisia,
A felicidade é uma mentira,
E a mentira é salvação.
Beba desse sangue imundo,
E você conseguirá dinheiro,
E quando o circo pega fogo,
Somos os animais na jaula,
Mas você só quer algodão doce.
Não confunda ética com éter,
Quando penso em você eu tenho febre.
Mas quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você,
Quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você.
É complicado estar só,
Quem está sozinho que o diga,
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida,
Quando tudo é solidão.
É preciso acreditar num novo dia,
Na nossa grande geração perdida,
Nos meninos e meninas,
Nos trevos de quatro folhas.
A escuridão é ainda pior que essa luz cinza,
Mas estamos vivos ainda.
E quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você,
Quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você..."
Natália - Legião Urbana
Venha, me dê a mão. Vamos sair pra ver essa manhã tão cinza e fantástica que me cega e retarda meu coração...
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Not again...
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
Sempre me perguntei o porque do meu fascínio com a obra dele. O tempo me mostrou porque...
Ao som de She's Lost Control do Joy Division...sábado, 3 de maio de 2008
Velório, cigarros, álcool e nada mais...
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Kill me Sarah...

"Um coração que está cheio como um aterro,
Um emprego que te mata lentamente,
Feridas que jamais cicatrizarão.
Você parece tão cansado e infeliz,
Então reclame do governo,
Eles nunca falam por nós.
Eu levarei uma vida quieta,
Com um punhado de monóxido de carbono.
Sem alarmes e sem surpresas.
Este é meu último ataque,
Minha última dor de estômago.
Sem alarmes e sem surpresas.
Assim como um lindo jardim,
Assim como uma linda casa.
Sem alarmes e sem surpresas,
Por favor, me tire daqui.
Sem alarmes e sem surpresas..."
No Surprises - Radiohead
Porque Thom Yorke sabe muito bem fazer canções que retratam o desespero humano e suas dificuldades em lidar com situações inusitadas ou do cotidiano, tanto que o disco que possui essa música, o aclamado Ok Computer de 1997, é considerado o Dark Side of The Moon dos dias atuais, porque trata das relações humanas e tudo o que nos atrapalha e guia nossa vida, seja bom ou ruim. Se sentir afogado... Sem alarmes... E sem surpresas...
terça-feira, 29 de abril de 2008
Brain Damage
"Você nunca varou a Duvivier às cinco,Nem levou um susto saindo do Val Improviso?
Era quase meio-dia do lado escuro da vida..."
"Eu já frequentei grandes festas,
Nos endereços mais quentes,
Tomei champanhe e cicuta,
Ouvindo comentários inteligentes,
Mais triste do que de uma puta,
No Barbarela às 15 pras 7..."
"Já reparou como os velhos,
Vão perdendo a esperança,
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Eles já viveram tudo,
E sabem que a vida é bela..."
"Já reparou na inocência cruel das criancinhas,
Com seus comentários desconcertantes?
Elas adivinham tudo,
E sabem que a vida é bela..."
Parafraseando Roger Waters do Pink Floyd, na verdade não há um lado escuro da vida, porque a vida em si é toda escura. E Cazuza já sabia disso.
Jim está morto. Ian Curtis está morto. Hendrix, Cobain, Syd Barrett, Sid Vicious, Jeff Buckley, Robert Johnson e Janis também estão. E agora, meus inimigos estão no poder. E não há nada que possa ser feito.
Seja bem-vindo ao lado escuro da vida.
