
'E Colombina diz: olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço, à luz do teu olhar, tenho ânsias de dormir, para poder sonhar! Os teus olhos dardejam! São dois lábios de luz que as pupilas me beijam... São dois lagos azuis à luz clara do luar... São dois raios de sol prestes a agonizar... Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor... Meu amor... Meu amor não pode ser seu, e sim do Arlequim... Não chores meu doce Pierrot!'
Commedia Dell'Arte
'E o Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina,
E na esquina se mata a beber pra esquecer,
Pra esquecer.
E o Pierrot só queria amar,
E dar um basta a essa dor já sem fim,
Mas Colombina trocou seu amor por Arlequim,
E o Pierrot chora...'
Los Hermanos
...
Eu sempre serei um Pierrot, cheio de amores platônicos, a única maneira de existirem e eu sobreviver. Só não diga que me ama. Não diga. Jamais diga. Porque aí o Pierrot morre e nasce o Arlequim. E isso machuca mais a você do que a mim.
Todo carnaval tem seu fim.
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