Vingança.
Ele sente que nasceu para matar. Não literalmente. Renasceu para matar. Começa a relembrar de toda sua vida inútil, a infância perdida, os amigos da escola que o maltratavam, a adolescência promissora que acabaria se tornando em uma vida adulta sem sentido algum. Amola seu machado e se lembra. Abre as gavetas e revê sua coleção de armas brancas. Facas, machados... Olha para as espadas penduradas na parede. Ele se sente como um guerreiro sem honra, a morte espera por todos. Só que dessa vez, a morte virá para outros. Abre seu caderno de anotações e lê os nomes de todos aqueles que um dia lhe fizeram mal, que um dia lhe fizeram acreditar que era um merda, um zero à esquerda. Todos os problemas que teve quando criança e as chacotas, piadas idiotas.
- Sim, é chegada a hora. Só tenho de terminar alguns detalhes, e sair para caçar. Logo mais, tudo estará escuro como essa noite.
Prende em seu casaco algumas facas, dois pequenos machados, e coloca nas costas a bainha com a espada. Tudo planejado para a sua diversão. Olha através da janela, está chovendo, o tempo frio parece não ajudar. Desce as escadas e sai para a rua, sair a procura do primeiro alvo.
Caminhando sob a tempestade que castiga a cidade, ele encontra um mendigo.
- Olá meu senhor, poderia me dar uma moeda para ajudar a matar minha fome?
- E quem me garante que você não vai beber com a grana que eu te der?
- Tudo bem, vou lhe ser sincero. Peço para beber, não sinto vergonha.
- Sem problemas. Pela sua sinceridade, merece até duas moedas. Afinal, você precisa se aquecer.
- Muito obrigado, meu senhor. Só lhe dou um conselho: vá com muito cuidado.
Ele se vira e não entende muito bem o que o mendigo lhe dissera. Será que ele sabia de seus planos, ou... Não, nada demais. Está começando a ficar paranóico. Não pode deixar a loucura tomar conta de si, antes de ficar louco de verdade.
Atravessa a rua e se aproxima do seu primeiro destino. Tiago. O cara dois anos mais velho do que ele, e que vivia se divertindo com seus problemas de saúde. - 'Maldito.' - Só consegue pensar nisso. Ele pula o muro e olha pela janela, Tiago está dormindo com sua esposa. Olha para o lado e vê que há crianças dormindo em outro quarto.
- Ninguém sai vivo.
Ele ri sarcasticamente, e já planeja como vai atacar um por um. Consegue destrancar a porta dos fundos, e entra devagar pela cozinha. Olha para o relógio na parede: 00h00. Vai até a sala, nota que há uma coleção de bebidas em um mini bar, pensa no que poderia fazer depois. Ele se vira para o quarto das crianças, tão frágeis, inocentes, puras... mas que um dia haverão de propagar a maldade pelo mundo. Carrega as duas pelo colo, o sono é tão profundo que ele nem se preocupa. Ele as coloca deitadas no sofá, cobre seus rostos com travesseiros e lhes aplica golpes de machado no pescoço. O sangue escorre, encharca o tapete da sala, ele olha para os corpos tristes e brancos que desfaleceram sem um grito. Não há tempo para voltar.
- O que faço agora? Sim, vou pegar uma dose de bourbon com gelo e me sentar por aqui. Já sei, vou pendurar as cabeças das crianças na porta do quarto delas. Assim, quando o filho da puta acordar, vai sentir a maior dor de sua vida.
Ele esvazia o copo, se dirige ao sofá ensanguentado, pega as duas cabeças e as arrasta pelo corredor. Vai à cozinha e encontra fitas adesivas, as pega e volta para o quarto.
- Sim, agora sim... Pronto! Olha que coisa linda. Dois rostos sem vida, pálidos, secos. Secos como a minha alma.
Ele volta para a sala, pensa no que vai fazer. Então decide bater à porta do quarto de Tiago. Toc toc. A esposa sai, e mal tem tempo de reconhecer as filhas mortas penduradas na porta. Agora uma faca se encontra em seu coração. Rápido, eficiente. Ele vê que seu amigo ainda não acordou. Pega o corpo da mulher e o coloca junto às cabeças das crianças. Ele vai até Tiago, o observa, se lembra de tudo o que o desgraçado lhe fez quando criança. Resolve agir. Vai até a cozinha e pega um pedaço de pano, volta para o quarto, ao mesmo tempo enfia o pano na boca de Tiago, e lhe desfere uma facada no ombro. Tiago desperta como quem cai de um prédio, um misto de medo e dor. Olha e vê seu amigo de infância com os olhos vermelhos, refletindo o sangue que jorra de seu ombro. O rapaz tira a mordaça da boca dele e resolve conversar.
- Olá Tiago, se lembra de mim?
- Filho da puta! Que porra é essa? Meu ombro, seu desgraçado! Cadê minha esposa? O que você fez com ela?
- Calma, ela está segura, assim como suas fihas... Seu ombro dói? É apenas o começo. Minha alma tem doído por anos...
- Seu maluco! Você sempre foi maluco! Desde que te conheci, você nunca se deu bem com ninguém, ficava isolado no seu canto, com seus pensamentos de retardado.
- Errado, meu velho amigo. Você e todo o pessoal da escola e do ônibus é que me isolavam com suas piadinhas infames, mas sabiam o que estavam criando. Agora chegou minha vez. Talvez o que você esteja recebendo não signifique um décimo do que sofri nesses anos, mas garanto que irá sofrer muito, assim como o resto do pessoal da época.
- Quê? O que você pretende fazer? Vai se vingar de todo mundo? Se vingar do quê? Era um fraco e não se adaptava! Mas quero saber onde estão minhas... Meu Deus! O que você fez a elas? Seu...
- Desculpe, você acha que só sua morte seria o suficiente para que eu me vingasse de você? Se enganou, otário. Uma pena, sempre se achou o esperto do ônibus, mas não passa de um idiota...
Tiago se levanta e vai até o corpo de sua esposa, e se choca ao ver de perto as cabeças de suas duas crianças. Cai ao chão em desespero. Chora amargamente e se arrepende por tudo o que fez de ruim. Se levanta em um acesso de raiva e tenta atacar seu velho amigo. Em vão. Leva outra facada, no joelho direito dessa vez. Cai, como quem não consegue se equilibrar. Chora de dor e raiva. Impotente, sabe que vai morrer.
- Vai, me mata logo, se é isso que você deseja.
- Calma, muita calma... Pra quê a pressa? Vocês ficaram me matando por anos, o que são minutos, comparados com aquilo? Se espera que eu alivie sua dor, está enganado. Eu ainda estou pensando no que vou fazer com você.
- Desgraçado! Você matou minhas filhas e minha esposa! O que mais quer de mim? Quer me ver sofrer? Acha que isso vai te fazer uma pessoa melhor? Acha que isso vai apagar a dor que sente e carregou por todos esses anos?
- Não, a dor está desaparecendo, o que vem, é apenas a calma. Sinto-me tranquilo. Sua morte é questão de tempo. Antes do sol raiar. Aliás, você tem escada por aí? Acabei de ter uma idéia.
Ele vai até Tiago e lhe esfaqueia o outro joelho, impedindo-o assim de andar, como meio de precaução. Vai até a varanda e encontra o que procura. Volta calmamente para o quarto e a abre, bem no centro.
- O que você vai fazer com isso?
- Tá com medo? Você vai ver...
- Nããão.... Nããããããããoooooooo!
O sangue jorra novamente nas paredes. Ele corta os pulsos de Tiago e o joga nos ombros. Tiago desmaia de tanta dor.
- Mais fácil assim, não quero ninguém se debatendo e me atrapalhando.
Ele pega a mão esquerda do rapaz e a encosta no teto, crava uma faca nela.
Tiago acorda assustado e gritando, sem saber o que acontece. Mais uma. A sua mão direita também é cravada no teto. O rosto de Tiago é a reprodução da dor, do desespero, do medo. Suas pernas são esticadas e juntas. Outra faca, só que dessa vez atravessando seus pés e encontrando o teto. De certa maneira, ele fôra crucificado. Já não grita mais. A dor é imensa, a ponto de não sentir mais nada. O quarto está cheio de sangue. Ele olha bem nos olhos de seu velho amigo e pergunta:
- Por quê?
- Porque eu quis assim. Dê um oi ao Diabo por mim. Vou te poupar, acabou.
Ele crava mais duas facas na cintura de Tiago para o corpo não cair, e em seguida rasga sua barriga. Os órgãos caem sobre o chão: intestinos, estômago, fígado, pâncreas, rins...
Tiago morre de olhos abertos, como quem não acredita no que está acontecendo.
- Menos um. Agora me restam três. Eles têm de saber que eu voltei. Tenho de planejar o resto, crucificar Tiago até que foi legal. Ah, preciso de outra dose de bourbon antes de partir. A noite é longa e a chuva está cada vez pior.
Continua...
Quem é quem na musica – “Refrão de Bolero”
Há 13 anos
11 comentários:
S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L
que música estaria ouvindo ele?
seria
Stuck In the middle with you?
como o Mr.Blue em ca~es de aluguel?
Véi, ficou do caralhooooo !
Até eu me caguei todo aqui hahaha
Você tá escrevendo bem demais.
Meus mais sinceros parabéns, velho amigo.
P.S: ops, esqueci que o assassino também diz " velho amigo " haha
Abraços
Véio...
Cara sabe o que to imaginando ???
o jornal nacional mostrando seu Blog e frisando as partes mais animalescas.... depois de vc ter feito uma chacina e se matado..
(ahhh e mostrando meu comentário tbm né... tipo ... ELE PREVIU uhahuaauh)
Fico MTOOO DARK mano...
Abraço muleque...
Estamos acompanhando o desfecho....
Mas uma vez parabéns !!!!
fuiii...
DORFO....Eu sempre soube que voce era insano..mas nem tanto..haha ficou massa demais...
Só uma pergunta...Voce tem algum amigo que chama tiago???!!
ABRAÇOS...
BELL
Loco hein?
Li, reli, e sinceramente? Fiquei com medo mas também fiquei louca para topar com esse sujeito matador ai, pra contar uma coisa muito importante pra ele. Você sabe onde posso encontrá-lo? Diga um lugar legal, mais bacaninha que o inferno, por favor!
Prazer Dorfo...mudei de nome Gervásio é meu nome agora!!hauhauahuha...
Cara, ficou muito bom, estou gostando desse negócio...
Abraço muleque
Pois é Dorflex, assim como o Ian, esse personagem tb é meu herói!!
Ele está fazendo o q eu deveria ter feito mto tempo atrás hahahhahahahah. Pena q eu não fui tão competente ao ponto!
Mas q bom q meus pensamentos podem ser retratados em idéias geniais como essas q vc tem (q tem mto de vc nelas).
Dessa maneira, não precisamos matar ninguém!!
hahhahhahahahahhahhahahhahahahahahahahahahaha
Parabéns kra, vc retratou a realidade de mtas pessoas. Pena q na vida real as continuam sofrendo caladas!
Abraço
Pois é, tem tanta gente fazendo comigo coisa pior comigo do que se divertir com meus problemas de saúde..
Talvez eu desenvolva algum distúrbio mental e mate alguém algum dia... Quem sabe, não é?
Abandonou o blog??? Poxa, que pena, você escreve muito bem e eu gostava bastante.
caramba...gostei da hitoria..
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